Saturday, November 21, 2009

poema no papel, poesia no coração

não sou fluente em poesia
exceto a minha
não posso afirmar haver conexão alguma
talvez seja tendência de poeta
influência, ou mero acaso
por exemplo, o retratode Manuel de Barros
me lembra Pessoa:

"E ao lerem os meus versos pensem
que sou qualquer cousa natural --
Por exemplo, a árvore antiga
à sombra da qual quando crianças
Se sentavam com baque, cansados de brincar
E limpavam o suor da testa quente
Com a bamba do bibe riscado."


Minha intenção não é papel
gostaria de escrever em corações
Poesia é viver
sentir com tudo
se envolver
com a vida, com o mundo
não as palavras
através delas
ver tudo e tudo entender
exceto entender nada -- viver

Friday, November 20, 2009

o homem que caiu

noticiou os jornais: um homem pulou
de um avião em pleno vôo
(o acento circumflexo é um protesto)
caiu, caiu, caiu
bateu no chão e morreu
ou morreu antes do esparramo?
sei lá; não sou nem físico nem psicólogo
não entendo o suicídio
mas entendo isto:
ele morreu divertido

Thursday, November 19, 2009

Lista de Leitura - 2009 (atualizada)

Li:



  1. O recurso - John Grisham
  2. Pride and Prejudice - Jane Austin
  3. Stonehenge - Bernard Cornwell
  4. Legião estrangeira - Clarice Lispector
  5. Viventes de Alagoas - Graciliano Ramos
  6. Veronika decide morrer - Paulo Coelho
  7. A maçã no escuro - Clarice Lispector
  8. O Livro dos espíritos - Allan Kardec
  9. Quando Nietzsche Chorou - Irvin D. Yalom
  10. Perdas & ganhos - Lya Luft
  11. Pensar é transgredir - Lya Luft
  12. Farewell - Carlos Drummond de Andrade
  13. Coleção melhores crônicas - Olavo Bilac
  14. ? - Oscar Niemeyer
  15. Laços de família - Clarice Lispector
  16. Água viva - Clarice Lispector
  17. The summons - John Grisham
  18. O rei do inverno - Bernard Cornwell
  19. Gandhi, sua vida e mensagem para o mundo - Louis Fischer
  20. A menina que roubava livros - Markus Zusak
  21. Aurora - Friedrich Nietzsche
  22. The Enemy of God - Bernard Cornwell
  23. Excalibur - Bernard Cornwell
  24. 1968, o ano que não acabou - Zuenir (alguma coisa)
  25. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres - Clarice Lispector
  26. A arte de escrever - Arthur Schopenhauer
  27. A metamórfose - Franz Kafka
  28. A Portrait of the Artist as a Young Man - James Joyce
  29. Além do bem e do mal - Friedrich Nietzsche
  30. Genealogia da moral - Friedrich Nietzsche
  31. Coletânia melhores poesias brasileiras
  32. A arte de conhecer a si mesmo - Arthur Schopenhauer
  33. Educação filosófica - André Comte-Sponville
  34. The Last Kingdom - Bernard Cornwell
  35. Fragmentos - Heráclito
  36. A arte de ter razão - Arthur Schopenhauer
  37. O retrato do artista quando coisa - Manuel de Barros
  38. Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister - Johann von Goethe
Livros de cabeceira (?)



  1. Selected Poems - William Carlos Williams
  2. Early Works - Patti Smith
  3. Falenas - Machado de Assis
  4. Poesia completa de Alberto Caeiro - Fernando Pessoa
  5. Dubliners - James Joyce
  6. Collected Tales of Edgar Allen Poe
Que quero ler
Poética - Aristóteles
  1. The Odessy - Homer
  2. The Aeneid - Virgil
  3. Ulysses - James Joyce
  4. Macbeth - William Shakespeare

Wednesday, November 18, 2009

o narrador narra
o nadador nada
o político rouba
o brasileiro, nada

Friday, November 13, 2009

Ponto Final

Acho que tenho todas minhas epifenias no metrô do DF. Hoje voltava do centro espírita no metrô (não diria que sou espírita, mas também não diria que não sou, sigo a linha de pensamento de Mahatma Ghandi: toda religião tem um pouco de verdade, nenhuma tem-na absolutamente). No metrô vi uma menina. Esta menina estava vestida com botas marrom, calça jeans bem apertadas mostrando perfeitamente as curvas, até que ainda não inteiramente formadas (entenderão daqui a pouco), uma camisa também bem apertada. O rosto cheio de maquiagem, um vermelho bem chamativo cobria os lábios e as unhas. O cabelo, castanho e encaracolado, bem penteado. Uma menina de desessete ou dezoito, ou até de desesseis anos de idade vestida como uma mulher é uma coisa. Mas a menina não parecia ter doze. Isso mesmo! Doze anos! não estou falando de uma menina-prostituta que faz isso como profissão, estou falando de uma menina de classe média (não entendem como discriminação!), vi-a saindo no meu bairro, um bairro nobre de Brasília. Caralho, o que está acontecendo com o mundo? As meninas perderam sua liberdade, acham que já são mulheres. E os muleques continuam crianças até os quarenta e poucos anos, ou às vezes para sempre. As meninas deveriam estar brincando de . . . bem, não sei bem, nunca fui uma menina. Mas elas deveriam estar brincando e dando tempo para seu corpo crescer. Talvez o problema esteja justamente nos brinquedos. A Barbie tem corpo de supermodelo, algo bem sexual. Os kits de maquiagem preparam as meninas desde cedo para isso. As musicas, os programas de TV, tudo. Não dão escolhas a elas, dizem "você tem que ser assim ou não será amada". Ponto final! (como se houvesse um ponto final...) Não sei mais o que fazer ou o que pensar. Resta-me uma coisa: lamentar.

Tuesday, November 10, 2009

cálculos, fórmulas, números

cálculos e cálculos e cálculos . . .
fórmulas e fórmulas e fórmulas . . .
números e números e números . . .
que tédio, prefiro voar!

Monday, November 09, 2009

meditar a partir de noz
um tempo em voz
faltou
talvez faltamos a nós
dramáticos
"All the world's a stage,
and you're the star."
or not...
tudo é indiferente
diferenciação
mal interpretação
à fala da alma
faltação

Thursday, November 05, 2009

falo de

a importancia vem de tudo
dela, por exelêcia
vestindo esmeralda
ela dança
gira e gira
indo até o chão
que curvas perfeitas!
ela é tropicalista
nada dessa febre capitalista
vida, linda
falo de uma:
folha

Tuesday, November 03, 2009

o destino

superei o desespero
do destino inato
nesse desespelho engrenado
o futuro é tão incerto
quanto inesperado
tento estar disperto
para o que é
a vida, o porvir e o caos

desapercebido o presente passa
mas não sem mim
esperaí! não se vai
foi, mas me levou
como queria
ou deveria ser, acontecer
que me guie ao certo, ao errado, ao divertido
meu absoluto, ao destino

Monday, October 26, 2009

brigas

brigas são as minhas preferidas
dão-me sempre tema
sempre além da minha imaginação
são lindas, explicarei
um grita, o outro grita mais alto
um xinga, o outro xinga mais bonito
um terceiro no meio assisti e chora
traumatiza
já fui o do meio
o primeiro, o segundo e o quarto
(que intervém e se dá mal)
é aquela velha coisa
alguns saem fudidos
drogas, crime ou depressão
tais coisas? eu não!
quase, porém, caí no abismo
depois descobri que já estava nele
segurei a mim mesmo, me abracei, me salvei
não me deixei cair
nunca sozinho
depois descobri que a profundeza sou eu
e quem pensaria
algo tão lindo de
briga